quinta-feira, 21 de abril de 2011

Winkie, de Clifford Chase



Título: Winkie
Título Original: Winkie
Autor: Clifford Chase
Editora: Bertrand
Ano da Edição: 2011
Ano Original de Lançamento: 2006
Nº de Páginas: 218
Comprar Online: Saraiva / Submarino


Sobre o livro:
Winkie é apenas um ursinho de pelúcia. Aliás, já foi até mesmo umA ursinha de pelúcia - quando tinha sua primeira criança. Depois, passado de geração em geração, acabou sendo Winkie!
Depois de muitos anos esquecido na prateleira do quarto de uma criança crescida - aliás, um homem feito que nem mais morava na casa - Winkie decidiu mudar de vida. Simplesmente quebrou a janela e foi embora - viver a sua liberdade!
O que ele não esperava era que fosse encontrado na casa de um terrorista morto e fosse confundido pelas autoridades e, consequentemente, fosse preso e acusado de ser ele, um simples ursinho de pelúcia, um terrorista.
"Segundo fontes próximas à investigação, a sra. Winkie é possivelmente a cabeça por trás de uma das maiores operações terroristas já descobertas nesse país [...] Quanto à estatura absurdamente pequena da sra. Winkie e sua aparência incomum [...] fontes policiais atribuem isso a uma doença rara que talvez seja bastante comum em alguns partes do mundo, tais como Ásia ou o Oriente Médio."
No decorrer do julgamento podemos acompanhar as lembranças de Winkie sobre seu passado e as loucuras do homens que o acusam - chegando a absurdos impensáveis.
"Winkie é bem diferente. Nunca vi outro urso com olhos iguais a esses, e as orelhas dele são muito maiores que as dos outros. Além disso, ele está surrando, e já foi costurado tantas vezes que o rosto adquiriu características próprias. Olhei para esse rosto muitas vezes quando era criança e, por isso, como disse, reconheci-o imediato. E então associei ao fato de ele ter desaparecido da casa dos meus pais, o que aconteceu há uns dois anos." - Clifford Chase, enquanto personagem do livro, descrevendo Winkie.
"Alguma espécie de alienígena, pensava ele. Alguma espécie de demônio. Ou de fantasma. ou de antimatéria. Algum tipo de deformidade, o terrível resultado físico de uma depravação repulsiva. Uma criação malfeita, um experimento louco que dera errado. Uma espécie de híbrido de homem com animal. Ou uma arma de ponta. Ou o governo encobrindo algo. Uma espécie de mutante, produto do lixo químico, aquecimento global, gás asfixiante, radiação. Uma aberração da natureza. Ou algum avanço evolutivo que não conseguimos entender. Uma espécie de dinossauro, deperto novamente depois de séculos. Ou um tipo de viajante do tempo. Ou um ser de outra dimensão. Alguma rara configuração de energia, uma espécie de raio quântico. Ou algum tipo de mensagem do universo [...] Ou algum tipo de punição divina..." - o comandante, responsável pela prisão de Winkie, descrevendo o ursinho.

O que eu achei do livro:
Como descrever Winkie?! Não há palavra para descrever, satisfatoriamente, esse livro. Ao mesmo tempo complexo e simples, cheio de significado e apenas mais um livro nonsens.
Acho que depende da alma de cada um - de sua essência e do que os seus olhos querem enxergar.
A escrita de Clifford Chase é simples e delicioso, mas a história é um tanto complexa - o que pode tornar a leitura um pouquinho demorada. Por outro lado, Wikie é tão encantador, que as páginas voam rapidamente entre nossos dedos.
Será que apenas eu exergo o que vi nesse livro? Não acredito. Um livro que me fez pensar no mito da Caverna de Platão (aquele que fala que os homens enxergam a realidade através de uma sombra projetada na parede, incapazes de olhar diretamente e, portanto, não conhecem o que é real) e também no julgamento do brasileiro nos EUA (um brasileiro que foi acusado de abusar sexualmente dos filhos. Outros três homens foram acusados de crime semelhante, na mesma cidade. Os outros três, americanos, já foram julgados e não só foram inocentados como ainda tem, atualmente, a guarda dos filhos. Apenas o brasileiro permanece encarcerado, sem conseguir, ao menos, ser julgado). Por que me lembrei dessas coisas? Porque o livro nos mostra uma realidade irreal - ideias que são obviamente impossíveis e inaceitáveis, mas apenas porque enxergamos a realidade. Ao comparar com a vida, vemos o quanto nós mesmos temos nossa visão vendada por medo, ignorância, preconceito.
Abaixo eu deixo Winkie contando um pedaço de sua história. Mas, atenção, contém spoilers - apenas clique no botão se não ligar para spoilers.

A narrativa abaixo é feita pela próprio Winkie, quando decide se pronunciar em sua própria defesa.
"Era uma vez um urso! [...]
Fim. [...]
Objetos. Comida. Salas [...] Poeira e vergonha e tédio interminável. E assim o velho urso partiu para um novo mundo! [...]
O que o urso desejava. O que o urso fez, O que o urso viu e comeu e entendeu. [...]
Pouco depois, aconteceu que o pequeno urso saiu perambulando pelo mundo. Os arbustos floriram e deram frutos, enquanto a luz surgia e desaparecia novamente. Ele teve um bebê. [...] Os ursos passaram, então, a ser dois, um maior e outro menor. Eles não sabiam por quê, mas a cada dia o tecido e o enchimento se ajustavam mais e mais. As árvores respiravam e centenas de nuvens cruzavam o céu, mesmo quanto eles estavam dormindo. E a chuva e a neve caíam direto ou em redemoinho, apenas para agradá-los. As tardes iam passando. Músicas eram cantadas. E então, o grande e mau Homem-Bunda apareceu gritando e sequestrou a bebê. [...] Era uma vez um urso triste e solitário. Ele vivia numa cabana. 'Saia com as mãos para o alto!' Formigamento e barulho, claridade e temor. O urso caiu devagar. [...] Era uma vez um urso triste e completamente sozinho. Ele vivia numa jaula, e se lembrava de tudo. Fim."

O que exatamente Clifford Chase quis dizer com Winkie - um dos livros mais lindos, nonsense e tocantes que li nos últimos tempos - eu não sei. Mas sei que o livro me tocou profundamente e que caiu no meu gosto. Winkie é genial - lindo demais!

Nota: 








Dificuldade de Leitura: 


 
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